Maria tinha trabalhado na mesma empresa durante sete anos. Ela era a gerente de marketing e tinha uma equipa de cinco pessoas. O seu salário era bom, e os seus colegas eram simpáticos. Mas algo a tinha incomodado durante meses. Sentia-se presa na sua posição sem espaço para crescer. Todas as manhãs, ficava presa no trânsito e perguntava-se se era isto tudo o que a vida tinha para oferecer. A sua paixão pelo marketing tinha-se desvanecido lentamente ao longo dos anos. Sempre tinha sonhado em começar o seu próprio negócio. No fim de semana passado, tinha encontrado uma velha amiga que tinha deixado recentemente o seu emprego numa empresa. A sua amiga agora geria uma padaria de sucesso no centro da cidade. 'Correr esse risco foi a melhor decisão que já tomei,' tinha-lhe dito a sua amiga. Essas palavras tinham ficado com Maria durante toda a semana. Na segunda-feira de manhã, Maria chegou ao escritório mais cedo do que o habitual. Sentou-se à sua secretária e olhou em redor do escritório de espaço aberto. Tudo parecia igual aos últimos sete anos. As mesmas paredes bege, as mesmas luzes fluorescentes, a mesma máquina de café. Respirou fundo e tomou uma decisão. Hoje seria o dia em que se demitiria. O seu coração batia depressa enquanto abria o portátil. Começou a escrever a sua carta de demissão. 'Caro Senhor Henderson,' escreveu. 'Escrevo para informá-lo da minha decisão de me demitir do meu cargo de gerente de marketing.' Fez uma pausa e ficou a olhar para o ecrã. Estava mesmo a fazer isto? As dúvidas começaram a infiltrar-se na sua mente. E se não conseguisse encontrar outro emprego? E se a sua ideia de negócio falhasse? O que pensariam os seus pais? O seu colega Thomas aproximou-se da sua secretária. 'Pareces preocupada,' disse ele. 'Está tudo bem?' Maria minimizou rapidamente o documento no seu ecrã. 'Sim, está tudo bem,' respondeu ela com um sorriso forçado. 'Estou só a pensar num projeto.' Thomas acenou com a cabeça e afastou-se. Maria olhou para o relógio no seu computador. Eram nove e meia, e o senhor Henderson normalmente chegava às dez. Tinha trinta minutos para terminar a carta. Continuou a escrever, explicando as suas razões para sair. Escreveu sobre querer perseguir novos desafios e crescimento pessoal. Agradeceu à empresa pelas oportunidades que tinha recebido. Finalmente, escreveu que o seu último dia seria dali a duas semanas. Leu a carta três vezes antes de a imprimir. As suas mãos tremiam ligeiramente enquanto pegava na página impressa. Às dez horas em ponto, o senhor Henderson entrou no escritório. Era um homem alto nos seus cinquenta anos com cabelo grisalho e uma expressão severa. Maria levantou-se da sua cadeira. 'Senhor Henderson, tem um momento?' perguntou nervosamente. Olhou para ela com curiosidade. 'Claro, Maria. Venha ao meu escritório.' Maria seguiu-o até ao seu escritório de canto com paredes de vidro. Sentou-se na cadeira em frente à sua grande secretária de madeira. 'O que posso fazer por si?' perguntou, reclinando-se na sua cadeira. Maria respirou fundo e entregou-lhe a carta. 'Decidi demitir-me,' disse ela, com a voz a tremer ligeiramente. A expressão do senhor Henderson mudou de curiosidade para surpresa. Leu a carta cuidadosamente sem dizer uma palavra. Após uma longa pausa, olhou para ela. 'Devo dizer que isto é bastante inesperado,' disse. 'Tem sido uma das nossas melhores gerentes.' 'Obrigada, senhor,' respondeu Maria. 'Mas sinto que é altura de seguir em frente e experimentar algo novo.' O senhor Henderson acenou lentamente com a cabeça. 'Compreendo,' disse. 'Posso perguntar quais são os seus planos?' Maria hesitou por um momento antes de responder. 'Quero começar o meu próprio negócio de consultoria,' admitiu. 'Tenho pensado nisso há muito tempo.' Um pequeno sorriso apareceu no rosto do senhor Henderson. 'Sabe, fiz o mesmo há trinta anos,' disse. 'Deixei um emprego confortável para começar esta empresa.' Maria ficou surpreendida com as suas palavras. 'Foi a decisão mais assustadora mas também a melhor da minha vida,' continuou. 'Desejo-lhe tudo de bom, Maria.' Maria sentiu lágrimas a formarem-se nos seus olhos. 'Obrigada por compreender,' disse. Apertaram as mãos, e Maria saiu do escritório. Ao regressar à sua secretária, sentiu-se mais leve do que se tinha sentido em anos. O peso que tinha pressionado os seus ombros tinha finalmente desaparecido. Thomas notou a mudança na sua expressão. 'Pareces diferente,' disse ele. 'Aconteceu alguma coisa?' Maria sorriu genuinamente desta vez. 'Acabei de me demitir,' disse ela. Os olhos de Thomas arregalaram-se de choque. 'O quê? Estás a falar a sério?' perguntou ele. 'Completamente a sério,' respondeu Maria. 'Vou começar o meu próprio negócio.' Thomas ficou sem palavras por um momento. Depois sorriu e deu-lhe uma palmadinha no ombro. 'Ainda bem, Maria,' disse ele. 'Sempre soube que estavas destinada a coisas maiores.' Nessa noite, Maria foi para casa sentindo-se entusiasmada com o futuro. Sabia que o caminho à frente não seria fácil. Haveria desafios, contratempos e momentos de dúvida. Mas pela primeira vez em anos, sentiu-se verdadeiramente viva. Já não estava apenas a passar pelos movimentos da vida diária. Estava a tomar controlo do seu destino. Enquanto olhava pela janela do seu apartamento para as luzes da cidade, sorriu. Um novo capítulo da sua vida estava prestes a começar.